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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

REGIONALIZAÇÃO

Sou contra a Regionalização porque Portugal, para além das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, é uma continuidade geográfica, com a mesma língua e os mesmos usos e costumes, pelo que não carece de um nível intermédio de poder entre os Municípios e o Governo Central.
Exemplos há, de países mais pequenos que estão regionalizados, como a Bélgica. Mas aqui são dois os territórios com línguas e usos e costumes diferentes, tão diferentes que são que um deles já ameaçou com a secessão, isto é, com a independência total. O Reino da Bélgica está há mais de seis meses sem Governo Central porque as duas regiões não se entendem.
Também não serve de exemplo o Reino de Espanha, porque aqui temos vários países distintos, quer na língua quer nos usos e costumes. E a regionalização é político-administrativa e não puramente administrativa. Um Galego nada tem a ver com um Basco e este com um Castelhano ou Catalão.
A Alemanha é uma República Federal, é portanto uma Federação de Estados – Lander – independentes, tal como os Estados Unidos da América do Norte, ou o Brasil (República Federativa do Brasil). Que seja do meu conhecimento, não existe uma Regionalização dentro de cada um dos Lander que constituem a República Federal da Alemanha. O mesmo se passa com cada um dos Estados constitutivos dos USA ou do Brasil.
Antes de se avançar para a Regionalização – criação das Regiões Administrativas – há que discutir amplamente a nova divisão administrativa do território continental, começando desde logo com a alteração ao nível das autarquias territoriais de base – as freguesias – sabendo-se quantas serão e quais os seus poderes administrativos.
Depois de saber como ordenar as freguesias em Municípios – população e território – saber que poderes terão os Municípios. Neste momento, há quem defenda a diminuição de poderes, enquanto outros, pelo contrário, querem ainda mais poderes.
Assim, é preciso saber-se que poderes administrativos terá cada um dos municípios.
Sendo os Regiões Administrativas um nível entre o Governo Central e os Municípios, será também necessário saber-se, previamente, que poderes o Governo Central abrirá mão em favor das Regiões.
Por fim, há que se saber, previamente, que impostos ficarão afectos a cada uma das Regiões, porque, decerto, os Municípios quererão manter a totalidade da receita gerada pelo Imposto Municipal sobre Imóveis – IMI, pelo Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis – IMT, das derramas sobre o IRC e de parte de outros impostos sobre o rendimento (IRS) e sobre a despesa (IVA), pelo que surgirão, inevitavelmente, os Impostos Regionais, com uma significativa consignação das receitas tributárias dos outros impostos.
Ou surgirão, ex novo, impostos mascarados de taxas como a Contribuição para o Audio-Visual, nas facturas da electricidade, ou taxas sobre o consumo de água (cfr. a tarifa sobre resíduos sólidos enquanto receita dos municípios)?
Regionalizar por Regionalizar porque é moda, e porque lá fora é “assim e assado”, não me convence.
Depois de tudo isto, nesta hora de aperto financeiro, também é preciso saber-se se os lugares a extinguir, quer a nível autárquico como a nível central, serão menos que os lugares a criar em função da concretização dos Governos Regionais e dos Parlamentos Regionais. Isto é, se com a Regionalização não haverá aumento de despesas para o Erário Público.
*****
         A nossa divisão administrativa vem do século XIX, em que a realidade de facto, ao tempo, nada tinha a ver com a actual. Nem a rede das comunicações terrestres – via rodoviárias ou ferroviárias – nem a rapidez das comunicações postais. Acresce ainda a inexistência das auto-estradas de informação, nem a deslocação das populações para a faixa costeira, com a consequente desertificação do interior.
         Lembro-me perfeitamente do tempo que ir e vir a Angeiras era uma manhã ou uma tarde, quando, hoje, faz-se, perfeitamente, em menos de meia hora. Ir de carro a Lisboa era um tormento, quando, hoje, faz-se perfeitamente ida/volta no mesmo dia. O mesmo se diga do ir/vir a Bragança, ou à Guarda, ou a Castelo Branco.
         Há que ter a coragem política para fazer-se uma nova divisão administrativa do território, quer ao nível das freguesias quer ao nível dos municípios.
         E, posteriormente ou em simultâneo com a criação das Regiões Administrativas, a extinção dos Distritos, das Províncias e das Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

REGIONALIZAÇÃO

Será Portugal, de facto, uma República baseada na soberania popular, que reside no Povo, que a exerce nos termos constitucionais?
Será Portugal um Estado unitário?
Será o Governo o Órgão Superior da Administração Pública?
Estas perguntas carecem de uma resposta política, que não jurídica, face à posição tomada pelo Governo Regional dos Açores sobre a redução dos salários dos seus funcionários.
Portugal, como todos sabemos, atravessa uma fase menos boa da sua vida económico-financeira, e o Governo, para resolver os seus problemas, resolveu diminuir os salários de uma franja dos seus funcionários, tendo, em devido tempo, os Deputados dos Açores, aprovado o Orçamento do Estado para 2011, que aprovou essa mesma redução salarial.
O Governo Regional dos Açores já depois de aprovado o Orçamento do Estado para 2011 com os votos favoráveis dos seus Deputados, veio dizer que vai, por um lado, e em cumprimento do Orçamento do Estado, cortar os salários dos seus funcionários, mas, por outro, vai compensar esse corte com a atribuição de um subsídio especial de igual montante, isto é, dá com uma mão o que com a outra tira.
E mais disse que ninguém tem nada a ver com isso.
Do ponto de vista jurídico, tem toda a razão. Mas já do ponto de vista ético-político já não a tem.
Politicamente, o Governo Regional dos Açores não está solidário com o resto do País que vai sofrer cortes salariais.
As verbas dos impostos pagos pelos continentais e para lá remetidas, deveriam sofrer um corte de montante igual ao do subsídio atribuído em compensação aos funcionários públicos da Região Autónoma dos Açores que aprovou esses mesmos cortes através dos seus Deputados à Assembleia da República.
Pior que isso.
Vem dizer a todos nós, aquilo que todos já sabemos: a Regionalização tem destas coisas. Vai criar feudos em que o Governo Central não manda absolutamente nada. Se, hoje, se pode ouvir que nos Açores mandam os Açorianos, amanhã, com a Regionalização, ouviremos: no Norte mandam os Nortistas; no Alentejo mandam os Alentejanos e, no Algarve mandam os Algarvios, e em Lisboa mandam os Lisboetas.
Cada um fará o que lhe der na real gana, e será o descalabro total, sem que o Governo Central, o tal que é o Órgão Superior da Administração Pública, possa intervir!
Se hoje já é assim, com duas regiões, que fará amanhã com sete?
Tornar-se-á Portugal numa República Federal? Ou numa República Federativa? Ou numa República vazia de poderes?
Este pensamento é preocupante porque, segundo alguma Comunicação Social, alguns Municípios, que também gozam de autonomia financeira, estarão a pensar em fazer o mesmo que a Região Autónoma dos Açores!